Planando em Marte



Há mais de 30 anos, satélites, sondas e jipes têm explorado Marte, quase que continuamente. Esses instrumentos já revelaram que Marte teve condições de ter abrigado vida no passado, ou mesmo de abrigar vida hoje, com a descoberta de água congelada no seu polo norte, ou as plumas de metano em sua atmosfera. Estudos mostram que vida microbiana poderia subreviver no subsolo, a uma profundidade de 30 centímetros, por exemplo.

Marte é relativamente bem pesquisado, com satélites em órbitas elevadas que produzem informações com precisão de centenas de quilômetros e têm um alcance global, ou com sondas estáticas ou móveis que colhem dados com precisão de centímetros, mas têm cobertura de alguns quilômetros, se tanto. Existe um meio termo ainda inexplorado, mas muito promissor para as “plataformas aéreas”.

Plataforma aérea é o termo técnico-chique para aeroplanos. Sim, tem gente pensando (seriamente) em soltar aviões em Marte! Aviões-laboratório poderiam ser lançados e voariam na atmosfera de Marte a uma altura de 1,5 km, mais ou menos. Deste ponto de vista, esses instrumentos poderiam preencher uma lacuna ainda inexplorada de Marte: os satélites estão todos muito alto e os jipes estão todos muito baixo.

Na verdade, já existe um projeto muito adiantado para um avião desses, o Ares, que tem um protótipo desenvolvido. Ele foi um dos quatro finalistas que concorreram para financiamento da Nasa em 2002, mas a vencedora daquela concorrência foi a sonda Phoenix.

Os objetivos da missão do Ares seriam estudar o magnetismo da crosta de Marte, a composição química, a estratificação e a dinâmica da atmosfera, bem como da presença de água próximo à superfície. Para o estudo da atmosfera, o Ares pode recolher amostras a cada 3 minutos durante seu voo, que cobriria mais de mil quilômetros da superfície marciana. Mas seu principal uso seria sobrevoar montanhas, vales e qualquer terreno acidentado – evitado pelos jipes e sondas de superfície.

A viabilidade do projeto já foi provada com um teste em 2002, quando um protótipo 50% menor que o original foi lançado a 35 km de altitude por um balão de hélio. Ele se soltou sozinho, se desdobrou e após 90 minutos de voo pousou tranquilamente em uma pista. Na versão original, o Ares tem 5 metros de comprimento e 6,5 m de envergadura.

Na missão real, o aeroplano seria lançado a uns 30 km de altitude e teria de se desdobrar também. Depois disso, um foguete o colocaria na altura correta e ele passaria a coletar seus dados. Uma grande desvantagem é que seu suprimento de combustível só daria para manter o voo durante duas horas. Comparativamente, os jipes marcianos estão durando anos. Os satélites, quase uma década. Mas antes de acabar o combustível, o Ares poderia pousar suavemente e passar a atuar como uma sonda estática, como a Mars Polar Land ou a Phoenix.

Testado e aprovado, o Ares aguarda por financiamento da Nasa para finalmente voar em Marte.

Fonte: Matéria do site G1 – Observatório – por Cássio Barbosa

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